© Josenildo Costa/CMCG

A Câmara Municipal de Campina Grande (CMCG) realizou, nesta quarta-feira, 22 de abril, a 24ª Sessão Ordinária, presidida pelo vereador Dinho Papa-Léguas e secretariada por Saulo Noronha. Na tribuna, os parlamentares abordaram temas como o Abril Azul, mês de conscientização sobre o autismo, mobilidade urbana, segurança pública e políticas públicas locais. Ainda na manhã de hoje, foi realizada Sessão Especial em comemoração ao Dia Nacional do Choro, com homenagem à roda de choro do Mestre Duduta, tradição cultural ativa na cidade há mais de 70 anos.

SESSÃO ESPECIAL – DIA DO CHORO E HOMENAGEM AO MESTRE DUDUTA
A Sessão Especial, de autoria do vereador Olimpio Oliveira, celebrou o Dia Nacional do Choro, comemorado em 23 de abril, data de nascimento do lendário músico Pixinguinha. Na justificativa, o parlamentar ressaltou que a data representa uma manifestação musical de origem genuinamente brasileira, reconhecida pelo IPHAN — Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, como patrimônio imaterial cultural, celebrada em todo o país.

Além da data nacional, a sessão prestou reverência à memória do Mestre Duduta, que implantou em sua residência uma roda de choro que funciona há mais de 70 anos, reunindo, toda semana, amantes da cultura e da música para trocar experiências, convivência e afeto.

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Compuseram a mesa de homenagem: Marcos Oliveira Barbosa (músico, pastor e membro da roda de choro); Eloisa Olinto (cantora, compositora, instrumentista, apresentadora e esposa de Waguinho Duduta); Wagner Ribeiro, o Waguinho Duduta (líder do Regional de Choro do Mestre Duduta); Jorge Figueiredo (integrante da roda de choro); Eneida Maracajá (professora e diretora do Festival de Inverno); Jorge Ribas (professor da UFCG); e Dinart Freire (advogado).

A professora e diretora do Festival de Inverno, Eneida Maracajá, destacou que a música é o próprio discurso, aquilo que humaniza, transforma e liberta. Parabenizou a Casa de Félix Araújo pela homenagem e reafirmou seu empenho na causa de transformar a residência de Duduta em patrimônio imaterial histórico. Ressaltou que Duduta não foi apenas instrumentista, mas também compositor e luthier, e que uma sociedade só pode se desenvolver com cultura, memória e democracia.

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O professor da UFCG, Jorge Ribas, contextualizou o Choro no processo de formação da identidade nacional brasileira, situando seu surgimento na virada do século XX, período em que o país buscava definir o que significava ser brasileiro. Destacou que a música nasceu como expressão do povo, espalhando-se pelo Brasil e que Duduta absorveu esse legado artístico e o implantou em Campina Grande, tornando sua casa um ponto de encontro e de resistência cultural.

Jorge Figueiredo, um dos membros mais antigos da roda, ressaltou o caráter democrático daquele ambiente como seu traço mais marcante. Lembrou que Duduta recebia com igual entusiasmo grandes nomes, como Canhoto da Paraíba e Dominguinhos, e os próprios alunos iniciantes, sem distinção. Defendeu que o poder público olhe para aquele espaço com atenção especial, apoiando projetos de captação de recursos para garantir sua continuidade.

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Marcos Oliveira Barbosa, membro da roda, falou sobre a universalidade da música como linguagem que se comunica diretamente com o ser humano. Recordou um cartaz que observou ao entrar na roda de Duduta: “Deus nos dá o talento e o trabalho transforma o talento em grandiosidade.” Destacou o acolhimento que a roda oferece a todos e agradeceu por ter sido recebido em Campina Grande por aquela comunidade musical.

O advogado Dinart Freire fez um depoimento emocionado, dizendo que conhecer Duduta foi uma das experiências mais marcantes de sua vida. Descreveu o Mestre como um homem de grandeza e humanidade ímpares, que nasceu para a música. Ressaltou a importância de Waguinho, Eloisa e de todos que frequentam os sábados da roda, e reforçou que o poder público deve apoiar esse patrimônio vivo da cidade.

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Eloisa Olinto exaltou a democracia que sempre caracterizou a roda de Duduta, que abriu suas portas igualmente para grandes artistas e para aprendizes. Revelou que o próprio Mestre não tinha dimensão do peso e do legado que carregava. Foi desse reconhecimento que nasceu o projeto Viva Duduta, criado na comemoração dos 70 anos da roda, que segue ativo. Eloisa destacou o pioneirismo de Duduta ao trazer o Choro para a Paraíba e afirmou sentir-se honrada em defender sua memória.

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Com emoção, Wagner Ribeiro, o Waguinho Duduta, agradeceu a homenagem e a todos que frequentam o espaço semanalmente, afirmando que vive esperando os sábados para se reunir com aquelas pessoas. Prestou tributo ao pai e à mãe, que permitiu que o legado continuasse, e agradeceu à esposa pelo apoio. Por fim, ele reafirmou seu compromisso de levar adiante a obra do Mestre Duduta.

A vereadora Jô Oliveira parabenizou o vereador Olimpio pelo reconhecimento do Choro no âmbito da Câmara Municipal. Como apreciadora do gênero e reconhecendo-o como referência cultural, ressaltou a importância dos convidados presentes.

O vereador Pimentel Filho mencionou Duduta como aquele que, na “Rainha da Borborema”, traduziu essa beleza do Choro e convidou a cidade a integrar suas rodas. Destacou que o Choro atravessa gerações porque, a cada nova apresentação, se revela como uma novidade exuberante que passa a fazer parte da vida de quem o descobre. O vereador também informou que já protocolou projeto de lei que declara a casa da roda de choro do Mestre Duduta como patrimônio cultural e imaterial de Campina Grande.

Dinho Papa-Léguas, parabenizou o vereador Olimpio pela propositura, reconhecendo a sessão como valorização da cultura do município e também declarou seu apreço pelo Choro.

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A vereadora Aninha Cardoso relatou que visitou a casa de Duduta por indicação de seu esposo, Marinaldo, e que, apesar da hesitação inicial, ficou encantada. A parlamentar também realizou a entrega de moção de aplausos para Waguinho Duduta e Eloisa Olinto, elaborada em homenagem a José Ribeiro da Silva, o Mestre Duduta, em virtude da comemoração dos 70 anos da roda de choro, reconhecida como uma das principais expressões da música instrumental em Campina Grande.

O vereador Olimpio Oliveira encerrou a Sessão Especial convidando a todos para uma roda de Choro realizada no plenário.

NA TRIBUNA – SESSÃO ORDINÁRIA
Abrindo o pequeno expediente, a vereadora Carol Gomes, profissional de saúde, trouxe ao plenário a pauta do Abril Azul. A parlamentar informou o lançamento da cartilha sobre os direitos da pessoa com autismo, de autoria do seu mandato e integrante da Lei Municipal nº 9.830. O documento trata do que é o autismo, seus sinais precoces e os direitos das pessoas com TEA. Carol Gomes também comunicou o protocolo de projeto de lei sobre o programa municipal de intervenção precoce, voltado à primeira infância (de 0 a 6 anos), com atuação nas áreas de assistência social, educação e saúde.

O vereador Severino da Prestação registrou a aprovação unânime, na semana anterior, de projeto de sua autoria que encaminha ao DNIT a solicitação de estudos para a construção de passarelas de pedestres no bairro Três Irmãs, área impactada pela duplicação da BR-230. O vereador informou que o DNIT se comprometeu a realizar os estudos e a construir não apenas uma, mas outras passarelas que a região irá necessitar, resultado de mobilização feita pelos vereadores junto ao órgão.

A vereadora Jô Oliveira rebateu declarações do prefeito de que a oposição torce pelo “quanto pior, melhor”, afirmando que a gestão deveria reconhecer falhas de planejamento. Lembrou que, mais de um ano após a aprovação do Plano Diretor, ações previstas no documento, como a revisão do Código do Meio Ambiente, o novo Código de Obras e a atualização do Plano de Mobilidade Integrado, ainda não foram executadas. Citou também a ausência de um plano municipal de habitação e relatou insatisfação de moradores da Feira da Prata com a mobilidade urbana. A vereadora reforçou que tem cumprido seu papel enquanto Legislativo, mas destacou a necessidade de separar as responsabilidades de cada poder.

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O vereador Dinho Papa-Léguas retomou requerimento já protocolado na Casa solicitando ao Governo do Estado e à Secretaria de Segurança Pública a implantação de uma base policial no bairro Aluízio Campos, onde a população vive em situação de insegurança. O parlamentar estendeu o pedido ao bairro do Tambor, que, segundo ele, enfrenta o mesmo problema e também necessita do equipamento de segurança.

O vereador Frank Alves registrou sua participação no lançamento da pedra fundamental de um hospital a ser construído em Campina Grande em parceria com o Hospital de Amor de Barretos, voltado à prevenção do câncer. O vereador parabenizou o senador Veneziano Vital do Rêgo pelo empenho no projeto.

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Encerrando o pequeno expediente, o vereador Alexandre Pereira criticou o projeto de lei de autoria da deputada federal Duda Salabert, do PSOL, que propõe a proibição do uso de cola-rato no Brasil. O parlamentar argumentou que o produto é acessível à população e que a urina de ratos pode transmitir doenças graves, podendo levar ao óbito. Ainda criticando o projeto, disse que ‘’essas pessoas valorizam mais um rato do que embriões no ventre de suas mães’’. Alexandre Pereira também se posicionou sobre a proposta da escala de trabalho 5×2, em que apesar de concordar com a escala, recorda o caso da legislação das empregadas domésticas que, apesar da boa intenção, gerou insegurança jurídica. O vereador disse que, na prática, a ação resultou na redução dos direitos de muitas trabalhadoras e questionou a que preço a nova escala será implantada e se o custo recairá sobre o salário do trabalhador.

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Abrindo o grande expediente, o vereador Pimentel Filho manifestou satisfação com o anúncio da chegada do programa Empreender ao Distrito de Galante, demanda que cobrava há anos, agradecendo ao governador Lucas Ribeiro pela iniciativa. Em seguida, rebateu as declarações do prefeito sobre a oposição e citou a ausência de execução de ações previstas no Plano Diretor, dificuldades no acesso a atendimento médico e a espera de agricultores de Galante por tratores para o preparo da terra. “Não está chegando, mas nós já aprovamos esses recursos”, afirmou.

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O vereador Wellington Cobra pautou a situação da malha viária de Campina Grande, que, segundo ele, necessita de reestruturação urgente. Em seguida, criticou a postura da gestão de responsabilizar os vereadores pela falta de execução das demandas, reforçando a atuação do Legislativo. Mencionou ainda o Canal de Bodocongó e a necessidade de continuidade da pavimentação das ruas nas suas proximidades. O vereador encerrou sua fala tratando sobre a ausência de placas informativas nas obras em andamento na cidade, apontando a falta de transparência como obstáculo direto à fiscalização.

Para acompanhar a sessão completa, acesse o Canal Oficial do youtube (@camaracgoficial). Confira também o andamento das matérias que tramitam no SAPL – Sistema de Apoio ao Processo Legislativo.

DIVICOM/CMCG

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